Paulo Freire

"Se nada ficar dessas páginas, algo, pelo menos, esperamos que permaneça: nossa confiança no povo, nossa fé nos homens e na criação de um mundo que seja menos difícil de amar". (FREIRE,PEDAGOGIA DA AUTONOMIA, 1996, p.184)

7.05.2005

A PROPOSTA DE FREIRE NO CONTEXTO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA FORMAL E NÃO FORMAL



Paulo Reglus Neves Freire, nasceu em 1921 no Recife. Desde pequeno conheceu as dificuldades das classes populares, mesmo sendo criado numa família de classe média, escreveu muitas obras que foram traduzidas e influenciaram vários países, onde, aliás, é mais conhecido e respeitado. Sua metodologia foi muito utilizada em campanhas de alfabetização e por isso foi acusado de desordem. Teve seu nome adotado por muitas instituições, devido a sua coragem, autenticidade e filosofia humanista. (confira a biografia do autor na íntegra no link Biografia).

A partir do conhecimento de seu contexto, percebemos que sua vivência é refletida na riqueza impressionante de suas obras. Onde Paulo Freire tem o dom de fazer o leitor refletir em todos os aspectos: educacional, social, econômico, cultural, enfim, questões fundamentais à prática educativa. Além disso nos leva a reflexão de nosso próprio comportamento, pois para ele a mudança depende de cada um de nós.

Paulo Freire acreditava na educação como libertadora, inovadora e responsável por grandes mudanças no mundo. Era um educador comprometido com a verdade e a criticidade, cheio de coragem e esperança. Defendia a idéia de que o professor deve estar ciente de que a sua prática é formadora, e assim sendo possibilita a intervenção no mundo e dependendo de como é feito o seu trabalho essa intervenção pode ser boa ou ruim. Sendo que a prática educativa exige decisão, posição, e que a beleza da prática está no testemunho, na luta pelos alunos, na esperança de progresso, porém muitas vezes a ideologia nos retira essa beleza. Educar é transformar, é decidir, é lutar por melhorias, e saber desmascarar o que reproduzir da ideologia dominante.

Ressaltou a questão de dar liberdade ao educando: liberdade para tomar decisões, para questionar, liberdade com limites éticos, fundada no respeito e na generosidade. A autoridade às vezes é necessária para não cair na licenciosidade, a liberdade que o professor dá ao aluno consiste também em ouví-lo, afinal a prática educativa é dialógica e diálogos consistem em saber ouvir e falar. É importante lembrar que o educador também aprende muito ouvindo seus educandos, e que cada vez que ele o faz cria no educando a possibilidade e a vontade dele voltar a falar e ser ouvido.

Dentro desse contexto dialógico, Freire discute a questão da autonomia, que para ele é a junção de liberdade, de autoridade, de saber escutar, tomar decisões, perceber o potencial da prática educativa, valorizar o outro, perguntar, intervir. Ser autônomo é agir por si, com respeito ao pensamento do outro.

“ A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É nesse sentido que uma Pedagogia da Autonomia deve estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer em experiências respeitosas de liberdade.”

(FREIRE, Pedagogia da autonomia, 1996, p.121)

Em sua concepção Freire concebe que ensinar não é transferir conhecimento, não consiste somente no repasse de saberes, deve haver troca de conhecimento entre educador e educando.

O professor deve ser um facilitador do conhecimento, usufruir do que Freire chama de saber de “experiência feito”, ou seja, utilizar a visão de mundo do educando, deve tomá-lo como ponto de partida, porém não permanecer nele, superá-lo a partir de novos conhecimentos. O educador deve discutir com os alunos a realidade concreta e associá-la ao conteúdo da disciplina; deve ser coerente e aproximar teoria e prática, o seu discurso à realidade.

Paulo Freire não tolera a educação “bancária” onde o professor deposita o conhecimento, como se fosse o detentor do saber e os alunos apenas receptores, pelo contrário, valoriza a educação libertadora, onde aprender não é simplesmente memorizar, mas uma constante troca de saberes entre docente e discente, a compreensão do conteúdo pelo aluno passa por várias etapas, onde o aluno é estimulado a reflexão crítica, é desafiado por sua própria curiosidade, questiona e forma seu próprio conhecimento que é provisório, torna-se um ser inquieto e insatisfeito, sempre em busca do conhecimento, tem a consciência de que o ser humano é inacabado. Faz parte também do professor essa consciência do inacabamento, deve estar em constante formação, em permanente processo de busca e estar aberto ao contexto social que cerca a escola, conhecer a realidade de cada um dos alunos. Cabe ao professor refletir criticamente sobre sua prática educativa, que jamais pode ser neutra, deve entender as formas de avaliação feita por seus alunos, a entender o significado de um silêncio, um sorriso ou uma retirada da sala. Isso faz parte de uma aprendizagem democrática, onde os educandos são tratados igualmente, onde ninguém é superior a ninguém.

Freire fala que na educação não formal o educador deve lutar para mudar o mundo, pensar que algo pode ser feito para mudar a realidade, não deve se conformar com os “fatalismos” do mundo moderno, como por exemplo a miséria. Para ele a pedagogia é uma forma de intervenção no mundo e diante disso, nós como educadores não podemos simplesmente cruzar os braços. Todos os fatos que acontecem na sociedade também são de nossa responsabilidade, seja na própria ação ou na indiferença, não podemos fugir dessa responsabilidade, devemos desafiar os problemas e não nos acomodarmos diante deles. Existe a necessidade de mudança não só na área da educação, mas também na da saúde, segurança, condições de vida, economia, enfim, em todos os campos da sociedade e cabe a todos nós participarmos efetivamente desse processo e não apenas nos escondermos atrás de desculpas. Partindo desse ponto, o educador deve estar em contato com toda a sociedade e principalmente exercendo sua prática não somente dentro dos muros da escola, mas indo em busca de quem mais precisa de ajuda, assim fará melhor e mais interventora a sua prática educativa.



7.04.2005

BIOGRAFIA

Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, no Recife, Pernambuco, uma das regiões mais pobres do país, onde logo cedo pôde experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares. Trabalhou inicialmente no SESI (Serviço Social da Indústria) e no Serviço de Extensão Cultural da Universidade do Recife. Ele foi quase tudo o que deve ser como educador, de professor de escola a criador de idéias e "métodos".

Sua filosofia educacional expressou-se primeiramente em 1958 na sua tese de concurso para a universidade do Recife, e, mais tarde, como professor de História e Filosofia da Educação daquela Universidade, bem como em suas primeiras experiências de alfabetização como a de Angicos, Rio Grande do Norte, em 1963.

A coragem de pôr em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo de conscientização, capacitando o oprimido tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto para a sua libertação fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados.

Em 1969, trabalhou como professor na Universidade de Harvard, em estreita colaboração com numerosos grupos engajados em novas experiências educacionais tanto em zonas rurais quanto urbanas. Durante os 10 anos seguintes, foi Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra (Suíça). Nesse período, deu consultoria educacional junto a vários governos do Terceiro Mundo, principalmente na África. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil para "reaprender" seu país. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo, maior cidade do Brasil. Durante seu mandato, fez um grande esforço na implementação de movimentos de alfabetização, de revisão curricular e empenhou-se na recuperação salarial dos professores.

A metodologia por ele desenvolvida foi muito utilizada no Brasil em campanhas de alfabetização e, por isso, ele foi acusado de subverter a ordem instituída, sendo preso após o Golpe Militar de 1964. Depois de 72 dias de reclusão, foi convencido a deixar o país. Exilou-se primeiro no Chile, onde, encontrando um clima social e político favorável ao desenvolvimento de suas teses, desenvolveu, durante 5 anos, trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA). Foi aí que escreveu a sua principal obra: Pedagogia do Oprimido.

Em Paulo Freire, conviveram sempre presente senso de humor e a não menos constante indignação contra todo tipo de injustiça. Casou-se, em 1944, com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, uma ex-aluna.

Paulo Freire é autor de muitas obras. Entre elas: Educação: prática da liberdade (1967), Pedagogia do oprimido (1968), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992) À sombra desta mangueira (1995).

Foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa através de numerosas homenagens. Além de ter seu nome adotado por muitas instituições, é cidadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior.

A Paulo Freire foi outorgado o título de doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades. Por seus trabalhos na área educacional, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios: "Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento" (Bélgica, 1980); "Prêmio UNESCO da Educação para a Paz" (1986) e "Prêmio Andres Bello" da Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continentes (1992). No dia 10 de abril de 1997, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". Paulo Freire faleceu no dia 2 de maio de 1997 em São Paulo, vítima de um infarto agudo do miocárdio.

FONTE: http://www.paulofreire.org/pfreire.htm

7.03.2005

OBRAS

A propósito de uma administração. Recife: Imprensa Universitária, 1961.
Conscientização e alfabetização: uma nova visão do processo. Estudos Universitários – Revista de Cultura da Universidade do Recife. Número 4, 1963: 5-22.
Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1967.
Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.
Educação e mudança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1979.
A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez Editora, 1982.
A educação na cidade. São Paulo: Cortez Editora, 1991.
Pedagogia da esperança. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1992.
Política e educação. São Paulo: Cortez Editora, 1993.
Cartas a Cristina. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1974.
À sombra desta mangueira. São Paulo: Editora Olho d’Água, 1995.
Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
Mudar é difícil, mas é possível (Palestra proferida no SESI de Pernambuco). Recife: CNI/SESI, 1997-b.
Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000.
Educação e atualidade brasileira. São Paulo: Cortez Editora, 2001.

7.02.2005

POESIAS

A ESCOLA

"Escola é...

o lugar onde se faz amigos

não se trata só de prédios, salas, quadros,

programas, horários, conceitos...

Escola é, sobretudo, gente,

gente que trabalha, que estuda,

que se alegra, se conhece, se estima.

O diretor é gente,

O coordenador é gente, o professor é gente,

o aluno é gente,

cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor

na medida em que cada um

se comporte como colega, amigo, irmão.

Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.

Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir

que não tem amizade a ninguém

nada de ser como o tijolo que forma a parede,

indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

é também criar laços de amizade,

é criar ambiente de camaradagem,

é conviver, é se ‘amarrar nela’!

Ora , é lógico...

numa escola assim vai ser fácil

estudar, trabalhar, crescer,

fazer amigos, educar-se,

ser feliz."

Paulo Freire

CANÇÃO ÓBVIA

Escolhi a sombra desta árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos e
conversarei com os homens
Suarei meu corpo, que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais,
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque o meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,:
em voz baixa e precavidos:
É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso, esperar, na forma em que esperas,
porquê êsses recusam a alegria de tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque êsses, ao anunciar-te ingênuamente ,
antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.

Paulo Freire

Genève, Março 1971.

In: Freire, P. Pedagogia da Indignação. São Paulo: UNESP, 2000.

7.01.2005

BIBLIOGRAFIA

Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 34ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2002.

Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, 24ª ed. São Paulo, Paz e Terra, 1996.

http://www.paulofreire.org


6.05.2005

AUTORAS DO BLOG

Somos estudantes do 4º ano de Pedagogia da UFPR.
Mariluci Braatz
Elinéia Denis